Entulho de obra não é uma coisa só. Pela Resolução CONAMA nº 307/2002 e suas alterações, os resíduos da construção civil são organizados em quatro classes: A, B, C e D. Em resumo, a classe A reúne materiais minerais que podem virar agregado; a B reúne recicláveis para outras destinações; a C depende de rota técnica específica; e a D reúne resíduos perigosos. A classificação não é autorização para misturar tudo na caçamba: ela serve para planejar a triagem e a destinação correta.
Em Jacareí e São José dos Campos, essa distinção é especialmente útil quando uma reforma gera cerâmica, madeira, gesso, embalagens de tinta e sobras líquidas ao mesmo tempo. Separe o que puder na origem e informe a composição antes de pedir uma retirada. Assim, a empresa consegue avaliar o equipamento e o destino sem transformar uma carga aparentemente pequena em uma mistura difícil de encaminhar.
A tabela mental das quatro classes
Classe A: resíduos minerais recicláveis
São os resíduos de construção, demolição, reforma e escavação que podem ser reutilizados ou reciclados como agregados. Entram aqui exemplos como concreto, argamassa, tijolos, blocos, cerâmica, revestimentos minerais, pedras, solos e rochas. Depois da triagem, a resolução prevê reutilização, reciclagem ou encaminhamento a área de reservação de material para usos futuros.
Mesmo dentro da classe A, evite misturar terra, cerâmica e concreto sem avisar. O material predominante, a umidade, o peso e a forma de carregamento influenciam a retirada. Para aprender a organizar a medição da pilha, consulte oguia de estimativa de volume de entulho.
Classe B: recicláveis para outras destinações
A classe B inclui materiais que podem seguir para reciclagem ou reaproveitamento em cadeias diferentes da dos agregados: plástico, papel, papelão, metal, vidro, madeira e gesso. A Resolução CONAMA nº 469/2015 também trata como classe B a embalagem vazia de tinta imobiliária que tenha apenas filme seco no interior, sem acúmulo de tinta líquida.
Classe B não significa “pode ir tudo junto”. Papelão molhado, madeira com restos de produto, vidro quebrado e perfis metálicos devem ser informados e acondicionados com cuidado. A equipe do PEV, LEV, ATT ou transportador pode orientar recipientes e combinações aceitas para a operação específica.
Classe C: sem reciclagem economicamente viável identificada
A classe C é definida pela ausência de tecnologia ou aplicação economicamente viável que permita reciclar ou recuperar aquele resíduo. Não é sinônimo de lixo comum e não deve ser usado como atalho para descartar um material desconhecido. Se a composição não estiver clara, mantenha-a separada, registre uma foto e confirme a rota técnica antes do transporte.
Classe D: resíduos perigosos
Tintas líquidas, solventes, óleos e resíduos contaminados entram na lógica da classe D. A Resolução CONAMA nº 348/2004 também incluiu telhas e outros objetos com amianto na classe de resíduos perigosos. Eles não devem ser despejados no solo, queimados, colocados no lixo comum ou misturados automaticamente a uma caçamba de entulho mineral.
A exceção das embalagens de tinta exige atenção: lata sem líquido e com apenas filme seco pode ter enquadramento diferente da tinta que ainda está líquida. Antes de levar qualquer embalagem a um ponto público ou incluir o item no orçamento, confirme a aceitação local e a forma de acondicionamento.
Como funciona para pequenos volumes em São José dos Campos
A página atual da Prefeitura de São José dos Campos informa que os PEVs recebem até 1 m³ de pequenos volumes de reformas residenciais, com os resíduos separados nos recipientes indicados. A mesma página lista itens recebidos e itens que não são recebidos: entre estes estão resíduos de tintas, embalagens de produtos químicos, agrotóxicos, terra e areia.
Portanto, não leve uma sobra de tinta ao PEV apenas porque a reforma também produziu cerâmica ou gesso. A Prefeitura orienta a contratação de empresas credenciadas para volumes acima de 1 m³ e mantém um sistema eletrônico de controle para acompanhar a geração, o transporte e a destinação dos resíduos. Para classe D ou composição incerta, confirme a orientação municipal antes de transportar.
Como funciona em Jacareí
O PGRCC disponibilizado pela Prefeitura de Jacareí organiza o planejamento em quatro classes e pede que sejam identificados o destino final, o transportador e a ATT, com dados da empresa e licença ambiental aplicável. Para empreendimentos que utilizam esse plano, o documento também prevê a apresentação do comprovante de destinação de cada classe por ocasião do Habite-se.
Para pequenos volumes, a orientação municipal sobre os LEVs diferencia pequenas obras e reformas de grandes obras, que devem usar serviço de tira-entulho. Quando houver caçamba, a carga precisa seguir para uma ATT regularizada, e não para um ponto de entrega voluntária como se fosse uma entrega residencial. Endereços, horários e listas de materiais podem mudar; confirme as regras vigentes antes de carregar o veículo.
Como separar uma reforma sem criar uma mistura
- Monte áreas de apoio: uma para minerais da classe A, outra para recicláveis da classe B e outra isolada para líquidos, contaminados e materiais de risco.
- Preserve as embalagens: não despeje tinta, solvente ou óleo em ralos, no solo ou em outra embalagem. Mantenha o rótulo sempre que possível.
- Fotografe antes da retirada: registre os materiais e uma estimativa de volume para explicar a composição no orçamento.
- Pare diante da dúvida: se aparecer amianto, resíduo contaminado ou um material que você não consegue classificar, não quebre nem misture para “ganhar espaço”.
O artigo da Prefeitura de Jacareí sobre prevenção de queimadas também alerta que é proibido queimar tintas, solventes e outros resíduos que possam liberar gases nocivos. A separação correta começa antes da caçamba chegar.
Três exemplos práticos
Troca de piso em uma sala
Cerâmica, argamassa e pequenos fragmentos minerais formam a classe A. Caixas de papelão, plástico de proteção e perfis metálicos devem ser separados como classe B. Se houver lata com tinta líquida, mantenha-a fora da carga e confirme o destino específico.
Reforma com drywall e esquadrias
O gesso e as placas devem ser informados como classe B, assim como madeira e metal quando estiverem limpos e separados. Não presuma que a mesma caçamba aceita a mistura: envie fotos e descreva a proporção dos materiais antes de agendar.
Pintura com sobras de produto
Embalagem vazia, sem tinta líquida e com filme seco, tem tratamento regulatório diferente da sobra líquida. Tinta, solvente e óleo devem ser tratados como classe D; em SJC, a página atual dos PEVs informa que resíduos de tintas não são recebidos. Peça a orientação do órgão responsável e não coloque esses produtos em uma caçamba comum sem confirmação.
Quer classificar seus resíduos antes da retirada?
Envie pelo WhatsApp a cidade, o bairro, fotos sem pessoas, os materiais separados e o volume aproximado. A equipe consegue avaliar se a solicitação deve seguir para uma caçamba, para um ponto público ou para orientação específica. Veja também o guia de descarte de entulho e, se precisar de orçamento, as páginas de aluguel de caçamba em Jacareí e SJC, atendimento em Jacareí e atendimento em São José dos Campos.
Classificar resíduos no WhatsAppDúvidas frequentes
FAQ
Lata de tinta seca é classe B?
A Resolução CONAMA nº 469/2015 considera classe B a embalagem vazia de tinta imobiliária com apenas filme seco no revestimento interno, sem acúmulo de tinta líquida. A aceitação no PEV, LEV ou destino contratado deve ser confirmada localmente.
Posso misturar classe A e classe B na mesma caçamba?
Separe na origem e informe a composição ao transportador. A mistura pode dificultar a triagem, o reaproveitamento e a escolha do destino, mesmo quando os dois materiais são recicláveis.
Classe C pode ir para o lixo comum?
Não. A classe C deve seguir armazenamento, transporte e destinação conforme normas técnicas específicas. Confirme a rota com o responsável pela obra e com uma área ou empresa autorizada.
Consulta realizada em 19 de agosto de 2026
Fontes oficiais
A classificação federal e as regras municipais podem ser atualizadas. Confirme a aceitação, os horários e a destinação antes de levar ou contratar o transporte.
- CONAMA — Resolução nº 307/2002 com alterações — acesso em 19 de agosto de 2026 ↗
- CONAMA — Resolução nº 431/2011, classificação do gesso — acesso em 19 de agosto de 2026 ↗
- CONAMA — Resolução nº 348/2004, resíduos com amianto — acesso em 19 de agosto de 2026 ↗
- Prefeitura de São José dos Campos — PEVs na cidade — acesso em 19 de agosto de 2026 ↗
- Prefeitura de São José dos Campos — resíduo da construção civil — acesso em 19 de agosto de 2026 ↗
- Prefeitura de Jacareí — Plano de Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil — acesso em 19 de agosto de 2026 ↗
- Prefeitura de Jacareí — orientação sobre descarte de resíduos de construção civil — acesso em 19 de agosto de 2026 ↗
